Carta de Felicitações | Nunciatura Apostólica

 


Prot. N.º 002/2026

Brasília, 17 de março de 2026.

A sua Excelência Reverendíssima
Mons. Gustavo Oliveira Tagle
Eleito Arcebispo Metropolitano de Santa Cruz- RJ
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Caro irmão no Episcopado,

Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai, de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pastor eterno das almas, e do Espírito Santo, que continuamente conduz a Igreja ao longo dos séculos.

A Nunciatura Apostólica no Brasil, em comunhão filial com o Sucessor de Pedro e com toda a Igreja universal, eleva a Deus um hino de ação de graças pela providencial nomeação de Vossa Excelência Reverendíssima como II Arcebispo Metropolitano de Santa Cruz. Este acontecimento constitui um momento de grande significado eclesial, não apenas para a Igreja particular que vos é confiada, mas também para toda a província eclesiástica e para a comunhão do povo de Deus que peregrina nesta terra.

A escolha de um pastor para conduzir o povo de Deus é sempre um sinal da presença viva e atuante do Senhor na história da Igreja. O próprio Cristo, que é o Pastor supremo, continua a chamar homens para participarem de sua missão salvadora. Assim nos recorda a Palavra de Deus:
“Eu mesmo lhes darei pastores segundo o meu coração, que as conduzirão com conhecimento e sabedoria” (Jr 3,15).

Nesta promessa do Senhor encontramos a profunda razão de esperança que sustenta a Igreja: Deus jamais abandona o seu povo, mas suscita, em cada geração, pastores que guiam, ensinam e santificam o rebanho confiado à sua solicitude.

A missão episcopal que agora vos é confiada encontra seu fundamento no mandato do próprio Cristo ressuscitado, que disse aos Apóstolos:
“Ide, pois, e fazei discípulos entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20).

Ao receber a plenitude do sacramento da Ordem e assumir o cuidado pastoral de uma Igreja metropolitana, Vossa Excelência Reverendíssima torna-se sucessor dos Apóstolos e testemunha da fé apostólica. O ministério episcopal é, portanto, um dom precioso para a Igreja e ao mesmo tempo uma responsabilidade sagrada diante de Deus e do povo fiel.

A Sagrada Escritura nos recorda ainda a natureza desta missão quando afirma:
“O Espírito Santo vos constituiu como guardiães para apascentar a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20,28).

Estas palavras revelam a profundidade espiritual do ministério pastoral. O bispo é chamado a ser pai, mestre e pastor; a guiar o povo de Deus na verdade do Evangelho; a celebrar os santos mistérios; e a fortalecer a unidade da Igreja na caridade.

A tradição viva da Igreja, enriquecida pelo testemunho dos santos, sempre contemplou com reverência e admiração a missão confiada aos pastores do povo de Deus. Como ensinava :

“Para vós sou bispo, mas convosco sou cristão; aquele é um dever, este é uma graça.”

Com estas palavras profundas, o grande doutor da Igreja recorda que o ministério episcopal não separa o pastor do povo, mas o une ainda mais profundamente a ele na comunhão da fé e da caridade.

Do mesmo modo, , ao refletir sobre o serviço pastoral, ensinava:

“O verdadeiro pastor deve ser próximo de todos pela compaixão e elevado acima de todos pela contemplação.”

Estas palavras revelam o coração da missão episcopal: um pastor que vive profundamente unido a Deus pela oração e, ao mesmo tempo, profundamente próximo do povo pela caridade.

O ministério de um Arcebispo Metropolitano possui ainda uma dimensão especial na estrutura da Igreja. O metropolita é sinal de comunhão e unidade entre as Igrejas particulares que compõem a província eclesiástica, promovendo a fraternidade entre os bispos e fortalecendo a comunhão com a Sé Apostólica.

Assim nos recorda o Apóstolo Paulo:

“Há um só corpo e um só Espírito, como também uma só é a esperança à qual fostes chamados” (Ef 4,4).

Promover esta unidade é uma das tarefas mais nobres e exigentes do ministério episcopal. Em tempos marcados por desafios culturais, sociais e espirituais, a presença de um pastor prudente e sábio torna-se sinal de esperança para o povo de Deus.

Recordamos também o exemplo luminoso de , que dedicou sua vida à renovação espiritual do clero e do povo. Ele costumava ensinar:

“As almas são conquistadas sobretudo pela santidade de vida.”

Assim, mais do que palavras, o testemunho de uma vida profundamente unida a Cristo torna-se o instrumento mais eficaz da evangelização.

O mundo contemporâneo necessita de pastores que, com coragem e sabedoria, anunciem o Evangelho em toda a sua verdade e beleza. Como dizia :

“Não tenhais medo! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo!”

Estas palavras continuam a ressoar como um convite permanente à confiança na força transformadora do Evangelho.

Também recordava com simplicidade e profundidade:

“O sacerdócio é o amor do coração de Jesus.”

Nesta perspectiva, todo ministério pastoral encontra sua origem e sua força no próprio Coração de Cristo, que ama a humanidade com amor infinito e chama seus ministros a participarem desse amor.

Ao iniciar esta nova etapa de vosso ministério episcopal, a Igreja contempla com esperança os frutos espirituais que certamente nascerão de vosso serviço generoso. A missão que vos é confiada exige sabedoria pastoral, prudência evangélica, zelo missionário e profunda vida espiritual.

O próprio Senhor nos recorda no Evangelho:

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11).

Que estas palavras iluminem continuamente o vosso caminho pastoral, inspirando-vos a servir o povo de Deus com dedicação, fidelidade e amor.

Confiamos de modo especial o vosso ministério à proteção maternal da Bem-Aventurada Virgem Maria, venerada como Mãe da Igreja. Ela que acompanhou os Apóstolos no início da missão evangelizadora continua a interceder por todos os pastores da Igreja.

Recordamos as palavras que Maria dirigiu aos serventes nas bodas de Caná:

“Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Que esta exortação mariana permaneça como luz constante em todas as decisões de vosso ministério pastoral.

Invocamos também a proteção de São José, guardião da Igreja universal, modelo de fidelidade, humildade e confiança na Providência divina. Que ele sustente vossa missão e vos fortaleça nos momentos de desafio e responsabilidade.

Neste espírito de profunda comunhão eclesial, a Nunciatura Apostólica no Brasil deseja expressar suas mais sinceras felicitações pela providencial nomeação de Vossa Excelência Reverendíssima como II Arcebispo Metropolitano de Santa Cruz.

Elevamos nossas orações ao Senhor para que o Espírito Santo vos conceda abundantemente os dons de sabedoria, fortaleza, prudência e caridade pastoral, a fim de que possais conduzir o povo de Deus pelos caminhos da fé, da esperança e da santidade.

Que o vosso ministério seja fecundo em frutos espirituais, fortalecendo a comunhão da Igreja, promovendo a evangelização e conduzindo muitas almas ao encontro salvador com Cristo.

E que, ao final de vossa missão pastoral, possais ouvir as palavras do Senhor dirigidas aos servos fiéis:

“Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra na alegria do teu Senhor” (Mt 25,21).

Com sentimentos de elevada estima, profunda comunhão e sincera fraternidade eclesial, concedemos nossas bênçãos e asseguramos nossas orações constantes por Vossa Excelência Reverendíssima e por todo o povo de Deus confiado ao vosso cuidado pastoral.

Com estima fraterna em Cristo,


†  Luís Santos Montini, OP-M 
Nuntius Apostolicus Brasiliae
Archiepiscopus tit Viminacium 

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